quinta-feira, 17 de junho de 2010

ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTADO

Dione Goreti Fernandes Gauto

Roseli Bek

ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO:

VOCÊ SE ACHA CAPAZ DE ATENDÊ-LOS?

2010

INTRODUÇÃO

O titulo Altas Habilidade/Superdotação: você se acha capaz de atendê-los, resume muitas vezes os anseios de quase todos e todas que atuam na educação. A bagagem de conhecimento ainda é pouca e muitas vezes é restrito o caminhar em busca de formação constante que abranja também esta necessidade.

Mas então, como tornar-se capaz para atender e suprir os anseios destes alunos e alunas que tem suas capacidades “avantajadas” em relação aos demais, e que por este motivo precisam de um espaço e práticas renovadoras? Como realizar abordagens e estratégias diante do que não se conhece e não se busca conhecer?

São muitas as perguntas, e este é um desafio a desvendar transparentemente nos espaços escolares que entre rupturas e retrocessos clamam por mudanças.

Torna-se importante e urgente desafiar, seduzir, inventar, reinventar, criar e recriar. Por este motivo a pesquisa inicia com a construção de uma linha do tempo, buscando seu conceito histórico, estabelecendo a todo o momento várias hipóteses do que vem a ser a Superdotação, e de suas necessidades específicas, bem como da forma como pode se estabelecer às características do indivíduo que a possuí.

O tema pesquisado buscou alicerce através de sua origem que visa primeiramente diagnosticar quem é o superdotado e quais os meios para alcançá-lo em uma aprendizagem consciente através de um fazer pedagógico não frustrante.

Para tanto, foram estabelecidas algumas características deste indivíduo, que podem auxiliar tanto no conhecimento, quanto nas alternativas produtivas para a construção dos saberes, e das improdutivas que refletem as práticas inconscientes e alienadas.

Os estudos realizados buscaram visualizar o perfil deste sujeito em suas vivências familiares, educacionais e comunitárias, onde muitas vezes pode desenvolver uma hipersensibilidade emocional.

A Superdotação foi estabelecida em suas subdivisões, como também o conhecimento das Inteligências Múltiplas, recurso que na pesquisa mostra-se indispensável para trabalhar o currículo dos portadores de Altas Habilidades.

Durante o decorrer da pesquisa foram pontuadas situações de limite entre as práticas e planejamento utilizados e como modifica-las visando alcançar uma integração eficaz, através da aprendizagem de todos. A legislação vigente auxilia na construção de novas resoluções diante da dificuldade de entendimento e aceitação de que são necessárias novas metodologias, novos espaços, enfim novas maneiras de enfrentar a pluralidade de situações existentes em um ambiente escolar.

Por último introduzimos alguns tópicos importantes sobre o superdotado deficiente, sua forma de aprendizagem, dificuldade e dicas para que o professor neste sentido motive sua aula.

Problematizar a importância de conhecer o sujeito que se quer alcançar, é uma dos pontos de relevância desta pesquisa, pois se acredita que a práxis acontece quando se realiza a intervenção, mediando à construção do conhecimento através da interação de cada um. Só assim os saberes adquiridos poderão integrar o sujeito através de suas ações.

I. Altas Habilidades - Conceito Histórico - Linha do tempo:

· 1905 – Alfred Binet – Psicólogo francês que desenvolveu a primeira a escala de desenvolvimento infantil com objetivo de observar identificando e descrevendo tarefas que podiam ser realizadas em cada etapa do desenvolvimento cronológico. A criança era observada no sentido de saber se seu desenvolvimento era normal ou mais adiantado do que o esperado para sua idade.

· Escala de Binet-Simon – Binet e Théodore Simon – Foi estabelecido o conceito de idade mental, lógica que se contrapôs as tarefas que uma criança era capaz de cumprir, com sua idade cronológica. Identificava as crianças com menor desenvolvimento mental, mas também aquelas que apresentavam um desenvolvimento maior do que as que tinham a mesma idade cronológica.

· 1916 – Escala de inteligência de Stanford-Binet – Lewis M. Terman, educador e psicólogo norte-americano, que se aprofundou no instrumento usado por Binet desenvolvendo o conceito de QI (quociente de inteligência). Relacionando a idade mental com a cronológica propunha sintetizar a quantificação da inteligência, (idade mental x idade cronológica x 100).

· (1950 – 1959) J.P. Guilford – Levou muitos pesquisadores a pensar que na inteligência como mais do que uma habilidade ampla e unitária. Para ele a inteligência era diversificada de habilidades intelectuais e criativas.

· 1961 – 1965 – 1968 – Guilfor e Torrance – a partir daí o conceito de superdotação foi ampliado incluindo a criatividade e seus vários componentes: pensamento divergente, solução de problemas e capacidade de tomada de decisão; recentemente foi acrescentado o termo talento através das habilidades marcantes das artes visuais ou de representação.

· 1978 – Segundo Parcell – Os termos “superdotado” e “talentoso” identificam crianças na pré-escola, ensino fundamental e médio como possuidores de habilidades potenciais que evidenciam alta capacidade de desempenho. Artes que necessitem de serviços ou atividades que não fazem parte da rotina escolar.

· 1978 – Renzulli – pioneiro que apresentou a noção de que a superdotação é uma combinação de conjuntos (conglomerados) interativos de comportamentos, porém uma pessoa só é considerada superdotada se existir uma interação entre três conglomerados básicos de traços humanos: habilidades gerais acima da média, alto nível de compromisso com as tarefas que assume e altos níveis de criatividade.

· 1981 – Sternberg – Propôs uma teoria triárquica sobre a inteligência humana: a inteligência analítica – um bom desempenho em testes de aptidão e inteligência; inteligência sintética – pensadores não convencionais que são criativos, intuitivos e apresentam um alto nível de insight; a inteligência prática – aqueles que lidam de forma extraordinariamente eficiente com os problemas da vida cotidiana e do trabalho.

· 1991 – Ramos-Ford e Gardner – teoria da inteligências múltiplas – os autores definiram inteligência como um conjunto de habilidades, onde o individuo consegue resolver problemas ou fenômenos que são característicos de um momento ou de um contexto cultural específico.

· 2008 – Política Nacional de Educação Especial Na Perspectiva da Educação Inclusiva - Secretaria da Educação Especial – Estabelece o conceito de que Altas Habilidades/Superdotados ou Talentosos são todos os educandos que apresentarem elevada potencialidade e desempenho em quaisquer dos seguintes aspectos combinados ou isolados: capacidade intelectual geral, aptidão acadêmica específica, pensamento criativo-produtivo, capacidade de liderança, talento especial para artes e capacidade psicomotora. Também apresentam elevada criatividade e grande envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em área de seu interesse.

II – Origem das Altas Habilidades/superdotação:

Defesas da herança biológica e da estimulação ambiental são áreas que realizam discussão científica sobre o talento, porém é difícil apontar quanto de determinação cabe a um e a outro. Naturalmente afirma-se com razoável segurança que ambos contribuem para este desenvolvimento e que um ambiente estimulador favorece a manifestação destas características.

Assim sabe-se que tanto a genética quanto o meio influenciam no desenvolvimento das pessoas com altas habilidades.

James Gallagher, especialista na área acredita que algumas pessoas nasceram com uma “constituição neurológica que lhes permite aprender com mais agilidade, processando informações e generalizando novas e incomuns idéias a sua faixa etária”.

Todo educador engajado nesta causa deve através da realização da práxis estimular as habilidades destes sujeitos, visando primeiramente estabelecer vínculos e posteriormente através do embasamento teórico existente auxiliar o indivíduo em suas descobertas para que se tornem prazerosas..

III - Quem é o Superdotado?

Chamado de portador de altas habilidades, superdotado, talentoso o indivíduo que quando comparado à população geral apresenta habilidades significativamente superiores em uma área específica ou em várias áreas.

Em geral para este aluno, as atividades pedagógicas complementares são desenvolvidas na sala de recursos, onde professores especializados efetivam e aprofundam o atendimento nas diversas áreas em que se estabelece a superdotação, bem como oportunizam momentos de desenvolvimento global e de harmonização dos aspectos dificultadores de seus potenciais.

IV - Características comportamentais:

Importante salientar que é injusto generalizar as características coletivas para seus membros, mas provavelmente fácil entender o “todo” conforme as características observadas e descritas.

· Muitos aprendem a ler mais cedo, mais rápido, com vocabulário diferenciado mais amplo e mais intenso;

· Geralmente suas habilidades básicas são compreendidas de melhor forma e rapidamente e com menor número de exercícios práticos;

· Com freqüência identificam e interpretam dicas não verbais, onde outras crianças dependem do adulto para fazer;

· Buscam os “como” e” por quê’s”, pois tem menor aceitação das verdades prontas;

· Em seus trabalhos são independentes mais cedo e por períodos de tempo mais longos do que outras crianças;

· Seus períodos de concentração e atenção são mais longos;

· Possuem interesses amplamente ecléticos tanto quanto intensamente focalizados;

· Geralmente são capazes de um bom relacionamento com pais, professores e outros adultos. Pode ter preferência a companhia de crianças mais velhas e adultas;

· Realizam muitas perguntas buscando a compreensão dos fenômenos, sempre motivados a examinar o que lhes é incomum;

· Com freqüência seu comportamento é bem organizado, direcionado a um objetivo e eficiente no que se refere às tarefas e solução de problemas;

· São completamente motivados para aprender, descobrir, explorar e geralmente persistentes;

· Gostam de aprender coisas novas e realizar coisas através de novas formas;

· Apresentam capacidade de períodos mais longos de concentração e atenção.

V - Características de aprendizagem:

· Podem apresentar poder de observação; percepção clara do que é significativo e ser atencioso para detalhes importantes;

· Poder ler com bastante independência, dando preferência a literaturas para crianças mais velhas;

· Frequentemente demonstram prazer nas atividades intelectuais;

· Apresentam capacidades bem desenvolvidas de abstração, de conceituação e de síntese;

· Relacionam causa e efeito com rapidez;

· Atitude de questionamento pela busca de informação desenvolvido pelo prazer de dominar o conhecimento e de seu valor instrumental;

· Frequentemente são céticos, críticos e avaliadores, rápidos na identificação de inconsistências;

· Tem facilidade de armazenar informações relativas a uma variedade de assuntos, os quais podem recorrer a qualquer momento;

· Pronta compreensão de princípios implícitos conseguem realizar generalizações rápidas sobre pessoas, eventos, e objetos;

· Percebem diferenças, semelhanças e anomalias rapidamente;

· Adoram um material complexo, dividindo-o em seus componentes e analisando-o sistematicamente.

VI - Características de pensamento criativo:

· Pensadores fluentes, capazes de produzir uma grande quantidade de possibilidades e conseqüências;

· Pensadores flexíveis capazes de resolver problema através de várias resoluções;

· Pensadores originais que buscam associações e resoluções novas, incomuns ou não convencionais; relacionam com habilidades objetos, idéias ou fatos aparentemente não relacionados;

· Pensadores elaborativos que produzem novos passos, idéias, respostas diante de problemas básicos;

· Demonstram desejo no entreterimento de assuntos complexos que exijam problemas a serem solucionados;

· São bons adivinhos, construtores de hipóteses prováveis;

· Mostram-se emocionalmente sensíveis diante de sua impulsividade;

· Alto nível de curiosidade;

· Prontidão para exercício intelectual, para fantasiar e imaginar;

· São sensíveis a beleza e atraídos para dimensão estética de um fenômeno;

· Sensibilidade, perfeccionismo e intensidade.

Estas características podem se manifestar de forma construtiva onde favoreçam a aprendizagem e as relações interpessoais, porém estas mesmas relações podem ser dolorosas e difíceis se a manifestação utilizar a forma dificultadora tomando como ponto de partida às práticas do educador/a. Se através da práxis a educação for inclusiva visando integrar os sujeitos independente de suas situações limite não acontecerá o sofrimento da divisão. Em contrapartida poderá ocorrer intolerância, ridicularização e falta de compreensão em relação aos colegas, diante do fazer pedagógico de um professor que considera seu aluno “anormal”.

VII - Dificuldades a serem consideradas diante do fazer pedagógico de crianças com altas habilidades/superdotação:

Alto grau de motivação:

· Recusa da aceitação de autoridade, inconformismo, teimosia exageradas;

· Dificuldade de largar a atividade em que está interessada através da solicitação do professor ou do adulto responsável;

· Tendência a dominar e discordar com freqüência das demais pessoas, inclusive do professor;

· A intensidade muitas vezes leva o aluno a uma dose excessiva de níveis de estresse.

VIII - A criatividade pode manifestar-se de forma negativa:

· Desinteresse por tarefas rotineiras e dificuldade em esperar que seus colegas terminem suas tarefas;

· Ser percebido pelos colegas como exibido, teimoso, não cooperativo e desinteressado pelos detalhes;

· Apresentação de trabalhos e cadernos desorganizados e sujos.

IX - No aspecto afetivo-emocional:

· Hipersensibilidade emocional enraivecendo-se facilmente, chorando se as coisas não saírem como ele deseja;

· Vulnerabilidade e fortes reações emocionais a críticas;

· Se recusa a participar das atividades das quais não se sobressaia, limitando suas possíveis experiências com atividades agradáveis e fisicamente construtivas;

· Podem apresentar problemas de comportamento e desinteresse ou distração na sala de aula.

X - Altas Habilidades/Superdotação – sub-divisões:

· Tipo Intelectual – Apresenta capacidades de: rapidez, fluência e capacidade de pensamento; flexibilidade, pensamento abstrato para associações; produção ideativa; compreensão e memórias elevadas e facilidade em resolver situações problemáticas.

· Tipo Acadêmico – aptidão e gosto pelas disciplinas acadêmicas de seu interesse onde especifica sua atenção, concentração; rapidez na aprendizagem; boa memória; habilidades para organizar, sintetizar e avaliar o conhecimento; capacidade de produção acadêmica.

· Tipo Criativo – Características específicas de originalidade, inovação, capacidade na resolução de problemas de forma criativa e inovadora; sensibilidade ara problemas ambientais, podendo inserir-se na resolução de problemas de forma excessiva; sente-se desafiado nas propostas de mudança diante do desafio da desordem de fatos; facilidade de auto-expressão, fluência e flexibilidade.

· Tipo Social – Extrema capacidade de liderança diante do grupo, com características de sensibilidade interpessoal, atitude cooperativa, sociabilidade expressiva; estabelece relações sociais através da percepção apurada das situações de grupo; alto poder de persuasão e de influência.

· Tipo Talento Especial – Evidencia habilidades especiais nas áreas da arte ligadas a música, dramatização, literária ou técnica.

· Tipo Psicomotor – Evidencia desenvolvimento fora do comum nas habilidades psicomotoras relacionadas à velocidade, agilidade de movimentos, força, resistência, controle e coordenação motora.

XI - Recomendações aos Gestores da Educação:

· Competência e decisão política de construir um sistema educacional respeitoso e responsivo, as necessidades educacionais especiais dos alunos com altas habilidade/superdotados;

· Elaborar planejamento estratégico favorecendo a formação permanente de professores/as e demais profissionais da educação, bem como favorecer as adaptações curriculares que se mostrarem necessárias;

· Garantir acessibilidade, bem como ferramentas e aquisição de instrumentos necessários para o fazer pedagógico inclusivo que vise à integração de todo, ou seja, assumindo sua responsabilidade neste processo em eterna construção.

XII - Recomendações aos professores:

· Identificar áreas de altas potencialidades do aluno, observar como estão sendo utilizadas no contexto escolar e promover seu crescimento de acordo com seu ritmo, interesse, possibilidade e necessidade;

· Postura de facilitador no processo de aprendizagem;

· Flexibilidade na conduta pedagógica e nas relações entre seus alunos, possibilitando crescimento de talentos e habilidades, oportunizando desafios que motivem a aprendizagem;

· Jamais subjugar seu aluno a um conteúdo curricular “dominante”, mas que seja estimulado a construir novos conhecimentos, convivendo com parceiros da mesma faixa etária e no contexto regular de sala de aula.

XIII - Segundo Reynoldes e Birch (1982) e Lewis e Doorlag (1991), há seis princípios que podem ajudar o professor com os alunos no contexto da sala inclusiva:

· Estimular a independência do aluno;

· Estimular o aluno a utilizar o processo cognitivo complexo;

· Estimular o aluno a discutir amplamente sobre (questões, fatos, idéias...);

· Estabelecer habilidades de comunicação interpessoal;

· Estimular o desenvolvimento do respeito independente de características, talentos e competências;

· Desenvolver expectativas positivas quanto à profissão.

XIV – a. Legislação:

Segundo a LDBEN 9394/96 – Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: (.....) aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados.

Deliberação nº. 02/03 – CEE – Art. 6º - Será ofertado atendimento educacional especializado aos alunos com necessidades educativas especiais decorrentes de:

· Superdotação ou altas habilidades que, devido às necessidades e motivações especiais, requeiram enriquecimento, aprofundamento curricular e aceleração para concluir em menor tempo, a escolaridade, conforme normas a serem definidas por Resolução da Secretaria do Estado da Educação.

· Art. 27 – aos alunos que apresentar características de superdotação e altas habilidades poderá ser oferecido o enriquecimento curricular, no ensino regular ou em salas de recursos e a possibilidade de aceleração de estudos para concluir em menor tempo o programa escolar, utilizando-se dos procedimentos de reclassificação compatível com o seu desempenho escolar e maturidade sócio-emocional.

Deliberação 09/01 – CEE – Art. 24 – Reclassificação é o processo pelo qual a escola avalia o grau de experiência do aluno matriculado, levando em cota as normas curriculares gerais, a fim de encaminhá-lo a etapa de estudos compatível com a sua experiência e desempenho, independentemente do que registre seu histórico escolar.

b. Legislação Vigente:

Instrução 16/2008 SUED/SEED – Estabelece critérios para o funcionamento de Salas de Recurso nas áreas de Altas Habilidades/Superdotação, para a Educação Básica.

Instrução 20/2008 SUED/SEED – Estabelece procedimentos para o processo de reclassificação de alunos.

Três tipos básicos de estratégia pedagógica para obter objetivos desejados para educação de portadores de altas habilidades/superdotação:

Organograma

Aceleração – O aluno cumpre o programa escolar em menos tempo, sendo que pode ocorrer de três formas:

· Admissão de alunos com idade inferior a normal;

· Constatada a habilidade, fazer com que o aluno “salte” de determinada série tida como desnecessária para ele;

· Favorecer o aluno para que aprenda seu próprio ritmo com recursos especiais, onde possa em um ano completar duas séries ou mais.

TANNEBAUN (1983)

Enriquecimento – Participação de cursos extracurriculares mais adiantados; implica completar em menor tempo o conteúdo proposto, permitindo assim a inclusão de novas unidades de estudo.

RENZULLI (1977)

Segregação – Separar temporariamente ou permanentemente os alunos superdotados dos demais alunos daqueles do nível médio, utilizando como critério o nível intelectual, ou seja, dar um tratamento especial.

BARBE (1965)

XV – Inteligências Múltiplas

“(....) uma inteligência humana deve ser genuinamente útil e importante, pelo menos em determinados cenários naturais” (GARDNER, 1994, p.46).

Howard Gardner compreende “Inteligências Múltiplas” como habilidades que permitem ao sujeito resolver ou desenvolver problemas ou criar produtos importantes para determinados ambientes culturais ou comunitários.

· Lingüística – Envolve sensibilidade para falar, aprender, usar a língua para atingir certos objetivos;

· Lógico matemática – Capacidade de analisar e resolver problemas que envolvem a matemática, e investigar questões científicas;

· Espacial - Capacidade de compreender o mundo visual todo minucioso. Tem o potencial de reconhecer e manipular os padrões de espaço bem como os padrões das áreas mais confinadas (como os que são importantes para os escultores, jogadores de xadrez, cirurgiões, artistas. Etc.);

· Interpessoal – Habilidade de entender intenções, motivações e desejos dos outros, e de trabalhar de modo eficiente com terceiros;

· Intrapessoal – Envolve a capacidade da pessoa se conhecer, ter um modelo individual de trabalho eficiente incluindo aí seus próprios desejos, medos, capacidades, e usar estas informações para regular sua própria vida;

· Musical – Habilidade para tocar, compor e apreciar padrões musicais;

· Corporal-cinestésica – Usar o corpo para dança, esportes ou para resolver problemas, ou para fabricar produtos;

· Naturalista - Reconhece e classifica espécies da natureza, inclusive de outras espécies próximas, e faz o mapeamento das relações formal e informal destas espécies;

· Existencial – “A inteligência das grandes perguntas”.

criancices.files.wordpress.com/2009/01/intel.Acesso 29/05/2010. 08h35min

“Se buscarmos apenas os resultados de QI, até mesmo os jovens notavelmente aptos em artes ou música não seriam reconhecidos por terem habilidades que não são medidas em um texto convencional”. (VIRGOLIM, Ângela. 2005)

XVI – Educação de superdotados na primeira infância:

É importante reconhecer a superdotação nas crianças, já que não responder às suas necessidades educacionais pode reduzir suas habilidades nos últimos anos escolas (Smutny, 2000) É de imensa importância esta afirmação, pois se os portadores de altas habilidades não forem atendidos através de práticas estimuladoras e desafiadoras, ou seja, trabalho este desenvolvido em uma sala de recursos; não se alcançará o desenvolvimento adequado forçando assim estes alunos a uma aprendizagem frustrante. Existe ainda o benefício do atendimento a seus familiares, ainda na primeira infância, oferecendo esclarecimento necessário para auxílio na construção da auto-estima, à criatividade e habilidades, principalmente na comunicação com seus filhos.

Já aos professores, é necessário saber diferenciar os superdotados dos não-superdotados, pois isto é indispensável na condução de um trabalho diferenciado e inclusivo em todos os âmbitos.

XVII – Grupos de superdotados que requer atenção especial:

Não se pode generalizar, nem todo superdotado apresenta bom desempenho, algumas vezes sua baixa auto estima o leva ao baixo desempenho e então mais do que nunca é necessário à intervenção. Existe ainda o preconceito em relação à superdotação que gera a exclusão. Podemos citar 4 subgrupos:

· Meninas superdotadas – Historicamente falando a mulher nunca pode ser vista como alguém, superior a qualquer homem potencialmente, por este motivo embora muitas das pesquisas se concentrassem em mulheres com índice maior de altas habilidades, este número prevaleceu, e poucas foram incluídas nos estudos de indivíduos superdotados (Rogers, 1999). As diferenças inatas entre os gêneros implicam a ocorrência da superdotação de modo mais freqüente em homens do que em mulheres.

· Alunos Superdotados Culturalmente e Linguisticamente Diversos – apresentam alta representatividade nas categoras da deficiência; apresentam baixa representatividade nos programas de educação para superdotados; apresentam alta taxa de evasão escolar.

· Alunos superdotados com deficiência – Lembremos de Ludwig Van Beethoven, Thomas Edison, Helen Keller, Franklin D Roosevelt – Independente de suas deficiências graves, seu talento e as principais contribuições para seus respectivos campos trouxeram a eles considerável reconhecimento. Na verdade isto nos leva a crer que não importa a deficiência, pois pode também existir aliada a ela a capacidade, habilidade, talento ou criatividade excepcional. Não se pode formar uma idéia a respeito de um indivíduo baseando-se em um encontro casual.

· Alunos superdotados com TDAH – Geralmente o transtorno de déficit de atenção encobre os dons intelectuais. Mesmo assim muitas destas crianças são diagnosticadas (Zentall et al., 2001). As vezes este problema os leva a apresentar baixo rendimento escolar (Reis e McCoach, 2000). Geralmente são desorganizados, distraídos e impulsivos, assim como os colegas com o mesmo transtorno, por este motivo correm o risco de não atingir satisfatoriamente os objetivos das avaliações, e até de abandonarem a escola.

XVIII – Dicas para professores – Como motivar o sucesso dos alunos Superdotados com Deficiência:

1. Ver o aluno acima de tudo como superdotado, e não em sua deficiência;

2. Propiciar um currículo diversificado com acesso à educação para superdotados.

3. Favorecer adaptações por meio da tecnologia;

4. Facilitar uma situação colaborativa em rede;

5. Proporcionar oportunidades para a interação entre crianças superdotadas com distúrbios de aprendizagem e outras;

6. Incorporar ao currículo a teoria das inteligências múltiplas;

7. Permitir adaptações nos testes;

8. Acelerar quando necessário;

9. Dar oportunidade aos alunos para falares sobre suas dificuldades emocionais, estresses, etc.;

10. Fornecer historicamente exemplo de papéis assumidos por instrutores que também tenham sido portadores de superdotação e distúrbios de aprendizagem.

Conclusão:

Conclui-se após todas estas pesquisas que os portadores de Altas Habilidades/Superdotação possuem características diversas, e talvez por este motivo não exista uma facilidade em diagnosticá-la, mesmo que a linha do tempo aponte novas formas que possibilitem seu diagnóstico. .

A aprendizagem destes indivíduos revela a necessidade de práticas entusiasmadas e diversificadas, realizando assim uma estimulação contínua diante da inteligência múltipla a ser desenvolvida. Os planejamentos precisam contemplar as diferenças em todos os âmbitos escolares, e reformular as práticas existentes visando à construção de uma aprendizagem que dê significado a todos.

Sem dúvida, um dos fatores mais importantes diante da realidade deste grupo é sua identificação, embora não seja de fácil entendimento, porém somente através deste processo é que poderá vir a ser identificado a realidade de um atendimento diferenciado contemplando uma proposta integradora de todos os profissionais nela envolvidos.

Os princípios norteadores desta pesquisa não foram os índices quantitativos em relação aos portadores de Altas Habilidades/Superdotação e sim o qualitativo das situações de atendimento educacional destes como parte de um todo.

A legislação vigente auxilia na construção de novas resoluções diante da dificuldade de entendimento e aceitação de que são necessárias metodologias avançadas, espaços redefinidos; enfim maneiras diferentes de enfrentar a pluralidade de situações existentes em um ambiente escolar.

Durante as pesquisas tornou-se possível identificar que os superdotados não têm uma deficiência que apresente barreiras para sua aprendizagem e participação na sociedade, porém podem ser prejudicados pelo sistema social e educacional quando através destes surgem obstáculos para a conquista de seu potencial.

Sabe-se que as diferenças sempre fizeram parte do contexto educacional, mas somente agora encontram lugar de destaque como necessidade a ser contemplada. É necessário o envolvimento de todos pela busca do que podemos chamar de inclusão, porém ela só acontecerá na medida em que a intencionalidade deixe de existir no papel e se concretize nas situações onde o indivíduo possa desenvolver suas aptidões e capacidades demonstrando assim suas realizações.

Quanto à intencionalidade das ações Gomes, (1998) afirma que:

(...) é a partir do reconhecimento da diversidade que se deve traçar as estratégias pedagógicas, a determinação dos métodos, as vias, os procedimentos que não podem ser rígidos, porque existem tantos caminhos pedagógicos como problemas específicos que somos capazes de reconhecer (Gomes, 1998).

Atribui-se portanto o valor desta pesquisa na resolução de problemas através de uma abordagem centrada no indivíduo, contemplando-o em sua pluralidade e seus dilemas estabelecidos pelas NEEs, através de possíveis propostas claras que entusiasmem, identifiquem e promovam soluções.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Brasil. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial: Livro 1. Brasília:MEC/ SEESP. 1994.

_________. Secretaria de Educação especial. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Portaria Ministerial nº 555. 2007.

_________. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Projeto Escola Viva. Cartilha de Altas Habilidades/Superdotação. Brasília. MEC/SEESP

SMITH, Deborah Deutsch. Introdução a Educação Especial – Ensinar em Tempos de Inclusão. Editora Artmed. 5ª Edição.

Núcleos de Atividades de Altas Habilidades / Superdotação – NAAH/S. http://portal.mec.gov.br/seesp/index.php

Associação Gaúcha das Altas HabilidadesSuperdotação

www.pucsp.br/paulofreire/educacaoparatodos.htm (19:43 - 14/05)

ETARIA DE EDUCAÇÃO DO MUNICÍPIO DE SANTO ANDRÉ Disponível em DE EDUCAÇÃO DO MUNICÍPIO DE SANTO ANDRÉ.

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